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Baque Mulher Lisboa: música e feminismo

Mais do que personagens de letras de canções sobre encontros ou desilusões amorosas e intérpretes de composições, as mulheres são agentes na música popular urbana enquanto compositoras e performers. Sua produção insere no universo musical, poético e audiovisual uma dicção que não é isenta de marcas, questões e peculiaridades relacionadas ao pertencimento de gênero (SCOTT, 1986; DAVIS, 2016, 2017; RIBEIRO, 2018). Esta agência está presente no movimento musical de maracatu Baque Mulher, surgido em 2008 na cidade de Recife, no Nordeste do Brasil, que aborda de maneira afirmativa o empoderamento das mulheres, principalmente as afrodescendentes.

O Baque Mulher foi fundado por Joana D’Arc da Silva Cavalcanti, artista popular e Ialorixá de um terreiro de Xangô (casa religiosa de matriz africana). Ao ser escolhida regente de um grupo de Maracatu tradicional (predominantemente masculino) ela se deparou com situações explícitas de machismo, incluindo a saída de alguns músicos do grupo para não serem regidos por uma mulher. A mestra Joana não apenas continua maestra do maracatu misto como criou uma orquestra percussiva só de mulheres. Este foi o núcleo inicial do movimento Baque Mulher, que atualmente está presente em 20 cidades brasileiras, em Lisboa e em Bruxelas.

A pesquisa aqui apresentada concentra-se nas atividades Baque Mulher Lisboa, criado em 2019. Parte da premissa de que uma abordagem da sonoridade e do discurso cancional (VALENTE, 2003; TATIT 2004, 2002, 1999, 1997) de composições e performances de autoria de mulheres é uma forma produtiva de entender a expressão da mulher contemporânea. A canção é veículo de ideias e sonoridades que dialogam de maneira tensiva com seu tempo, seu lugar de produção e com marcas identitárias e/ou subjetivas. Nesse sentido, adota-se uma perspectiva interdisciplinar, a partir de aportes teóricos da comunicação, dos estudos culturais, da etnomusicologia e da semiótica.

As formas de implantação, comunicação e de gestão do núcleo de Lisboa e o perfil das suas integrantes são objetos da pesquisa, assim como o repertório de loas (canções executadas no maracatu). Nas letras das loas, ouve-se tanto uma defesa da sororidade, da religiosidade afro-brasileira, das qualidades do maracatu e do enfrentamento da violência contra a mulher quanto a exaltação do esforço das “guerreiras”. Este último aspecto põe em cena o debate sobre o quanto a valorização desta imagem da mulher que “luta” e que é “forte” oblitera as reivindicações pelo direito a uma situação mais “pacífica”, com iguais demandas de esforço independentemente do gênero.

 

Palabras-clave: Mulher, Maracatu, Canção, Gênero, Identidade, Comunicação

 

Baque Mulher Lisboa Referências

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Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Tatiana Rodrigues Lima Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Brasil

Comentarios

  1. silmara2020-04-03 18:09:52

    Tatiana, que ótimo conhecer sua pesquisa! E sendo um tema tão brasileiro, mas em uma vertente europeia!... :) Eu amei o video e suas demonstrações da gestualidade. Um abraço, até a próxima! :)

    • Tatiana Rodrigues Lima2020-04-08 21:04:41

      Silmara, muito obrigada pelo interesse sobre a pesquisa e pelo excelente trabalho na coordenação do nosso simpósio 17, neste momento de tanta tensão por conta da pandemia.

  2. Haroldo André Garcia de Oliveira2020-04-03 00:42:45

    Parabéns, Tatiana! É muito importante que tenhamos pessoas como você que, além de destacar as questões de gênero, faz uma divulgação da nossa cultura no exterior. Mais uma vez, parabéns pela pesquisa minuciosa!Abraçp!

    • Tatiana Rodrigues Lima2020-04-03 16:33:51

      Muito obrigada Haroldo André! Suas palavras são um incentivo neste momento de tanta tensão por causa da pandemia. Envio abaixo um link para quem quiser acompanhar o trabalho do Baque Mulher no Facebook: https://www.facebook.com/MaracatuBaqueMulher/

  3. mjagudo2020-04-02 15:56:17

    Obrigado Tatiana, encontrei muito interessante o empoderamento das mulheres tocando bateria em Maracatu, da tradição afro-brasileira, dada uma dupla potência de género e raça. Parabéns pela sua contribuição. Saudações.

    • Tatiana Rodrigues Lima2020-04-02 18:56:47

      Olá Maria José, muito obrigada pelo seu interesse. Fico feliz que tenha gostado do trabalho e agradeço o contato. Envio o link de um vídeo com a Mestra Joana, para que possas ouvir um pouco os tambores e a voz da criadora do Baque Mulher. Saudações https://youtu.be/i2vd5TSzaJA Tatiana

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